- Alinhar prioridades
- Equilibrar investimentos
- Entregar e aprender
1. A direção quer melhorar a margem; os projetos buscam expansão
Uma empresa se prepara para uma venda e coloca a melhoria de margem e a geração de caixa entre suas prioridades. Ao mesmo tempo, produto, engenharia e TI concentram esforços em novas ofertas, entrada em mercados e liderança tecnológica. Cada área pode ter uma justificativa consistente, mas as iniciativas disputam recursos para objetivos diferentes.
Nesse cenário, a estratégia de inovação precisa traduzir a prioridade empresarial em critérios de investimento. Se o momento exige retorno mais próximo, projetos de eficiência operacional, redução de retrabalho ou melhoria de processos podem ganhar espaço. As apostas de expansão precisam ser reavaliadas quanto a prazo, esforço e contribuição para o negócio.
O entregável é uma revisão do portfólio com critérios claros: o que acelerar, redimensionar, manter ou adiar. Melhorar a margem não exige eliminar toda aposta de longo prazo; exige que a liderança compreenda e escolha o equilíbrio, em vez de deixar a alocação resultar de disputas entre áreas.
2. O portfólio está concentrado em um único horizonte
Uma empresa pode apostar quase todos os recursos em desenvolvimentos distantes da aplicação, enquanto acumula problemas de produtividade no presente. Também pode ocorrer o inverso: toda a capacidade é consumida por melhorias imediatas, sem iniciativas que preparem novas fontes de valor.
O uso de horizontes de inovação ajuda a discutir esse equilíbrio. O horizonte 3 costuma reunir opções para o futuro, com maior incerteza e distância do negócio atual. Ele não deve ser tratado como sinônimo automático de qualquer projeto radical, nem receber uma parcela fixa do orçamento sem considerar o contexto da empresa.
O trabalho consiste em mapear as iniciativas por horizonte, risco, recursos e contribuição esperada. A partir daí, a liderança pode escolher uma composição compatível com o momento do negócio. O resultado buscado é um portfólio que atenda às necessidades atuais e mantenha espaço para construir o futuro.
3. A inovação é prioridade no plano, mas não na avaliação dos gestores
A estratégia pede inovação, mas os gestores são avaliados apenas por custo, produtividade e entrega da operação atual. Experimentar uma solução nova consome tempo da equipe e pode piorar, temporariamente, algum indicador. Se metas, reconhecimento e remuneração variável consideram somente a rotina, o comportamento mais previsível é proteger essa rotina.
O problema não se resolve pedindo mais disposição para inovar. É necessário discutir com a liderança quais contribuições são esperadas, que recursos estarão disponíveis e como o trabalho será acompanhado. As metas precisam reconhecer a responsabilidade pela experimentação sem retirar a cobrança pela operação.
Um entregável possível é uma matriz que relacione desafios de inovação, responsáveis, capacidade reservada e critérios de avaliação. Em fases iniciais, os marcos podem avaliar testes e redução de incertezas; após a implantação, o acompanhamento deve considerar a mudança produzida no negócio.
4. O projeto foi priorizado, mas não há recursos para executá-lo
A empresa escolhe uma iniciativa de inovação e reconhece sua importância, mas não define como financiar o desenvolvimento ou liberar a equipe necessária. O projeto permanece no planejamento, competindo por orçamento com demandas que já têm recursos e responsáveis estabelecidos.
A análise de viabilidade precisa colocar lado a lado o investimento necessário, os desembolsos, a capacidade interna e as alternativas de apoio. Lei do Bem, financiamento Finep e outras fontes podem entrar nessa avaliação conforme os requisitos de cada instrumento e a situação da empresa. Incentivo fiscal e financiamento têm funções diferentes; a disponibilidade de uma alternativa não substitui a análise do projeto.
O trabalho pode produzir um plano de mobilização de recursos, com opções, condições a verificar e próximos passos. Em alguns casos, a decisão será estruturar a proposta; em outros, reduzir o escopo inicial, escalonar a implantação ou buscar cooperação. O objetivo é transformar a prioridade em um projeto executável.
5. Parte dos projetos não acompanha a estratégia: rever o portfólio ou o plano?
Se uma análise identificar que cerca de um terço dos projetos não se conecta ao direcionamento estratégico, há um sinal que merece investigação. A primeira hipótese é um desalinhamento: iniciativas iniciadas por oportunidades isoladas ou preferências de áreas continuam recebendo recursos sem uma contribuição clara para as prioridades atuais.
Mas existe outra possibilidade. Novos concorrentes, mudanças nos clientes, aplicações de inteligência artificial ou outras oportunidades podem ter surgido depois da elaboração do plano. Nesse caso, parte do portfólio pode estar respondendo a uma mudança relevante que a estratégia ainda não incorporou.
A análise não deve partir da conclusão de que todos os projetos fora do plano precisam ser cortados. É necessário avaliar a razão do desvio. O entregável é um mapa de aderência e de oportunidades emergentes, que sustente duas decisões possíveis: corrigir a carteira de projetos ou revisitar o próprio direcionamento estratégico.
6. A empresa quer resultado próximo e associa inovação a esperar dois anos
Alguns desenvolvimentos exigem um ou dois anos, ou até mais, conforme a complexidade. Isso não significa que a empresa precise aguardar a conclusão integral para obter entregas úteis. Também não significa que toda inovação tenha de ser disruptiva ou depender de uma nova tecnologia.
Melhorias incrementais, mudanças de processo e novos modelos de negócio podem ter trajetórias de implantação diferentes das de uma pesquisa tecnológica. O planejamento deve distinguir o prazo do programa completo dos marcos intermediários: diagnóstico, teste, aplicação inicial e avaliação do efeito produzido.
Conforme o contexto, dois ou três meses podem permitir entregas como uma priorização acordada, um teste operacional ou uma primeira melhoria implantada. Ganhos iniciais precisam ser identificados e dimensionados, não prometidos antes da análise. Um roadmap pode combinar esses movimentos com etapas de seis meses e desenvolvimentos de maior duração.
Uma estratégia de inovação útil organiza essa sequência: o que pode avançar agora, o que precisa ser aprendido e que capacidade deve ser construída ao longo do tempo. A MIRANDA atua nessa conexão entre decisão e execução, para que a inovação seja acompanhada pelo que muda na empresa.
Da reflexão à prática
O que esse tema muda na sua empresa?
A MIRANDA conecta as prioridades do negócio à estruturação de projetos e ao acompanhamento da execução.
Converse com a MIRANDAConheça esta frente de atuação →